quarta-feira, novembro 01, 2006

sinto muito

ainda sinto...
cada casa que passa pela janela do dirigível
do automóvel laranja da feira o peixe do mar à beira mar...
com os pés na areia que escapa da sola
o chão foge
... dos dois
tudo cai então
o mar se vai pra longe e leva todas as minhas conchas brancas
ainda sinto
... meu sorriso demora
deita e se deixa levar pela onda de meus cabelos onde os dedos passeiam
e sentem tristeza pois toda cor irá fugir
irradiando o tempo pobre de um brejo fedido indo pra não voltar
arrancada a força a vida a alegria
uma casa que não é minha
um tempo que não é meu
uma dor que todos sentem
um cansaço...
um cheiro bom que ainda sinto
um sintoma de saudade
sinto má
sinto bom
sinto proximidade
um aperto no peito
doloroso, doi meu osso, doi meu sono
somos afinal
nós estamos desatados
afetados
pelo mundo e inertes pela vida
degradando-se voluntariamente
degrau por degrau
chego até às estrelas e decaio a um patamar abissal
sinto as ondas de vento do céu
e desejo às estrelas cintilantes um brilho, um sorriso claro
cinco pontas de vida amadurecidas...
(e que, por favor!
não caiam!!!)

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Sabedoria Popular...

"Quem não pode com a mandinga, não arrasta o patuá."