(observação importante: isto é uma crônica meus amores, não um depoimento da novela das oito...)
O convite estava na caixa de entrada do meu e-mail, com dia, horário, local e uma pequena amostra da lista de convidados. Tal evento não seria nenhuma entrega do prêmio Nobel, nem haveria qualquer chefe de Estado presente; era na realidade, muito mais importante. Ele, o vulgo falecido, meu ex-namorado, estaria lá e para piorar a situação, com sua nova companheira. Não que do final de nossa relação tenha sobrado apenas ressentimento, mágoa, intriga e ciúme. Até que éramos bons amigos, porém amigos de telefone, sabe? Porque depois do que foi o nosso último e derradeiro encontro, ainda não havíamos nos encontrado cara a cara. A expectativa era uma questão de vaidade e para satisfazer meu ego, tornava-se imprescindível que eu estivesse impecável e ... deliciosamente irresistível.
Sem dúvida diante de uma evidência de tamanha magnitude, seria necessário capricho, seria necessário usar aquela calça. Assim corri para abrir as portas do armário e no meio do quarto iluminado apenas pela tela do computador, a vesti. Ou pelo menos tentei.
Como aquilo foi acontecer? A única roupa que poderia ser usada em tal ocasião não se deixava abotoar. Puxa daqui, puxa dali, encolhe a barriga, deita na cama, encolhe mais ainda a barriga e nada. Seria castigo dos deuses? Talvez... Porém seria impossível ir desta forma, ou melhor, com esta forma enorme nos quadris... Então resolvi dar uma de Prometeu e desafiar os deuses: iria emagrecer, iria entrar naquela calça e iria arrasar na festa.
Foi uma semana difícil: comida light, nada de carboidratos, muita salada e no jantar apenas frutas terrivelmente inodoras, insossas e quase invisíveis. De forma irônica recebi, e com enorme dor no coração recusei, um convite para ir a um rodízio de pizzas, dois para almoçar no Mc Donald´s e outro para ir ao cinema, de tanto medo que tive só de imaginar o odor daquela pipoca quentinha com manteiga derretida por cima. Pois bem, quando fui me pesar no sábado de manhã, toda a fome acumulada durante o maldito regime ficou para trás. Três quilos a menos! Extraordinário, não? A calça entraria como uma luva e a guerra dos botões chegaria ao fim.
Só que à noitinha, quando fui me vestir ansiosa para a festa, tive uma surpresa. Uma surpresa que poderia ter sido evitada com o simples uso correto de pronomes possessivos. Isto é seu, aquilo é meu e essa dificilmente será nossa. E não é por egoísmo, mas por questão de organização. Quando vesti a calça, ela não só foi abotoada com facilidade, como também ficou larga, larga de um jeito que não deveria estar.... Acontece que a peça que havia experimentado há uma semana atrás não era a mesma que usava neste momento.... No quarto mal iluminado, eu provei uma que minha amiga esqueceu em casa e que apesar de ser muito parecida com a minha, era um número menor do que meu manequim usual. Claro que eu não consegui abotoá-la... Aliás, jamais teria sucesso em tal empreitada.
Enfim, botando na balança o desfecho dos fatos, nada ficou em sua medida ideal: o regime foi por água a baixo – por que depois de perceber que a semana de sofrimento foi em vão, ataquei um enorme pedaço de lasanha - e também minha presença na festa. Ocorre que naquela noite quente de verão, enquanto eu trajava uma calça larga meio que caindo toda hora, a funesta namorada do meu “ex” estava com as longas pernocas de fora, em uma indigesta saia com sabor de quero mais.
quarta-feira, janeiro 31, 2007
E vai rolar a festa?
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Sabedoria Popular...
"Quem não pode com a mandinga, não arrasta o patuá."
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