(apenas pra deixar claro que a homofonia Pascal e paus foi mera coincidência... ou lapso do incosciente, vai saber...!)
sábado, julho 28, 2007
sexta-feira, julho 20, 2007
olha o aviãozinho!
ah! esses homens e sua máquinas maravilhosas e os reversos que sempre dão pau...
ah! esses homens e seus paus mandados...
ah! esses homens e seus ...paus!
terça-feira, julho 17, 2007
Pascal
"Não ficamos nunca no tempo presente. Antecipamos o futuro por chegar demasiado lentamente, como para apressar-lhe o curso; recordamos o passado, para detê-lo, por demasiado rápido: tão imprudentes que erramos nos tempos que não são nossos e só não pensamos no único que nos pertence; e tão vãos que sonhamos com os que já não existem e evitamos sem reflexão o único que subsiste. É que o presente de ordinário nos fere. Ocultamo-lo à vista, porque nos aflige; e, se nos é agradável, lamentamos vê-lo escapar. Tratamos de sustentá-lo pelo futuro, e pensamos em dispor as coisas que não estão ao nosso alcance para um tempo que não temos nenhuma certeza de alcançar.
Que cada qual examine seus pensamentos, e o achará sempre ocupados com o passado e com o futuro. Quase não pensamos no presente: e, quando pensamos, é apenas para tomar-lhe a luz a fim de iluminar o futuro. O presente não é nunca o nosso fim; o passado e o presente são os nossos meios; só o futuro é o nosso fim. Assim, não vivemos nunca, mas esperamos viver, e, dispondo-nos sempre a ser felizes, é inevitável que nunca sejamos."
(XX, 7)
segunda-feira, julho 16, 2007
dedicatória
aaah!
eu que pensava que o mundo era um complexo inexplicável
hoje já o vejo simples e disperso e sozinho demais...
eu que enxergava tudo tão difícil e distante e dolorido
não entendo mais nada agora...
se sou eu
se é você
que explica por que tudo é tão diferente e parecido ao mesmo tempo...
escape, escape, escape!!!
Quanta audácia, quanta vontade...
meu câncer crescendo...
puts! que bagunça atrasada!!!
ou que atraso essa bagunça provoca...
não existe no mundo o "não me toques"
todos querem ser tocados...
mundo frágil, só e fácil
dócil como gado domado
Ainda assim,
mesmo previsível,
não tenho palavras
(elas sim, manto criado para cobrir todos os instintos
invento que fugiu do criador
são arredias
e não cumprem sua função)
Eu que queria tanto fazer um samba
fiz um poema.
E não entendo, não entendo, não entendo!
Queria enxugar o raciocínio
ao nível das cinco sílabas poéticas
mas meu mundo vai mudando
já é mentira...
ou medo
Já mendigo desde o início
um pouco de atenção...
(é isso mesmo
um bicho de estimação)
... potencialidade divina
o mundo tem demais
eu a adapto como me convém
eu adoto o que me convém
e escapo, escapo, escapo!!!
sexta-feira, julho 13, 2007
aulas...
... sobre o verso; ministradas pelo prof. Rodrigo Severiano.
Nada
"A esta hora do dia
a cabeça esvazia
não quero fazer rima,
só falar deste nada
Será que já foi feito
um poema sobre o vazio
A falta de palavra,
de sentimento, o pensamento
nulo, sem eticetaras?
Hoje não quero
dissertar o amor
nem poetizar o ódio
Quero apenas
descrever com erros
de português o sentimento
do zero, do conjunto matemático
inexistente, do nó na garganta
da ausência
Não pense que vou falar
da solidão, pois o só
são muitos,
às vezes muitas
lágrimas, inquietações
gritos, sussurros. Onde
o sentir mostra
as suas múltiplas
faces em uma só, multiplica-se
Com uma caneta Bic e
uma folha em branco
descrevo o vazio, completando-o
com palavras, tornando o branco,
antes com milhões de possibilidades,
em uma só, ou nenhuma
Pego meu pensamento e elevo
ao mais alto grau do vazio,
a mais baixa freqüência,
à morte cerebral
Então meu pensamento
apaga, os meus músculos
já param de responder
e deixo o espaço em branco
rabiscado para não haver.
Minha caneta de repente
como o nada
sem ponto nem vírgula
em letras minúsculas
e pequenas se cala"
Severo
sexta-feira, julho 06, 2007
Digo
E se todos os poemas
começassem pelo fim
... seria mais fácil
pois te digo
que não consigo jamais terminá-los
Meus estados de alma
não se findam
Começo a dizer
algo
que não sei bem o significado
bem sei que me saem
sem esforço
e também que somem
e depois se repetem
Por que não tentar?
vira-se o papel sulfite
(de cabeça pra baixo)
e trocam-se início e fim!
... simples e glorificante como uma chuva de verão
(ah! o cheiro da chuva de verão!
daria tudo nesta vida para ter um sachê
com o perfume da chuva de verão
guardado dentro do meu armário...)
E o poema diz
mas que importa
tal fato
se nem mesmo há um fim?
Se não há fim
de que vale o meio e o começo?
O final não chega
o meio se prolonga
(no meu ombro pousa um corvo
com um pedido de socorro)
E talvez esse miolo
seja o meio de dizer a vida...
Pois se não é raro esquecer o começo
não lembrar o início da história...
Ainda por cima ignoramos o final
(no escuro jogamos - mão de onze)
... só
posso tentar dizer
mais alto
Até que me avise do perigo
e diga:
é agora
é o fim