Eu nunca vi um motorneiro
Nunca vi a cor de seus olhos
nem a forma de suas mãos
Não sei o que pensava o motorneiro
quando acordava pra ir trabalhar
Não posso imaginar as palavras que dizia
quando de noite sentava-se para descansar
Eu que nunca vi um motorneiro
fico saudosista de um tempo que não é meu
Fico a pensar que mil cheiros
meu temperamento me privou de viver
...talvez em dezembro
o motorneiro colocasse uma guirlanda na frente do bonde vermelho
E em fevereiro
o confete ficasse nos vãos dos tacos de madeira
colorindo com seus vários tons de jornal desbotado
um mundo de pés passageiros
Eu nunca vi um motorneiro
Nunca vi um dia de sol
Nunca vi em um espelho refletido
minha face a brilhar com um sorriso
Nunca vi a vida passando a trotar
de dentro de um bonde... devagar
Só vejo o borrão das luzes correndo
Só vejo a saudade de um tempo que já foi meu
sábado, dezembro 01, 2007
O Motorneiro
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Sabedoria Popular...
"Quem não pode com a mandinga, não arrasta o patuá."
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