sábado, novembro 22, 2008

Gatas extraordinárias

Acordei tão ranzinza
tão de mau humor
cheia de enrugadas reclamações
entre meus olhos
que não saíram da boca.
Mas as mulheres...
ah, o que são?
Estados de ânimos tão imaturos
quanto uma glândula pituitária desregulada...
Serão?
...limítrofes, todas
Paira somente
um bom senso de ventre
E no mais,
tenho o dia seguinte
humanamente espero e não espero
fico pulando o muro
ouvindo barulhos e limando os dentes
feito jagunço.
Cá tenho uma razão do real
lá um afeto intuitivo
Nessa brincadeira
meus dedos se fecham de esperar
um minuto que passa, longo
longo, longo –
feito centopéia numa janelinha
- pulo, despulo.
Alice sem relógio
sem coelho
sem reinado.
Pois canso de ver a centopéia desfilar
com seus sapatinhos Armani
...e nem o real é mais real
se um dia já foi real...
hoje não é mais fidalgo, não
(e esse frio de São Paulo...?
Se na Bahia há o calor
em São Paulo há o frio com garoa
Distintas capitais.
Só. Nenhuma generalização
mesquinha ou determinista, acho).
Procuro um pulo,
mais um
pulo
E amanhã
mais um
pão com manteiga
e geléia de crianças etíopes barrigudinhas vivas mortas de fome [cercadas de moscas varejeiras como se já estivessem podres.
Gangorra, carrossel, girassol
Brinquedos, diminutivos
...tiros.
Como se já não fosse o bastante
toda a condição venusiana...

Sabedoria Popular...

"Quem não pode com a mandinga, não arrasta o patuá."